Carregamento sem fio promete um fim aos cabos de dispositivos do dia-a-dia

Quem aí não se rende a mexer no celular enquanto ele está carregando? E quem tem problemas com felinos roendo cabos? Fora o esquecimento do carregador nos momentos em que a gente mais precisa. Além dessas questões cotidianas, um futuro de carregamento wireless massivo e à distância pode reduzir muito lixo eletrônico e mudar algumas coisas no nosso estilo de vida.

carregamento sem fio
Imagem: zagg.com

Cabos demais no chão, nas paredes e no lixo

A questão ambiental costuma liderar a motivação para
mudanças (ou pelo menos deveria) e, no cenário atual de geração de lixo
eletrônico, algumas empresas estão tentando se livrar deles: os cabos. As
companhias Wi-Charge, Energous e Ossia estão desenvolvendo métodos sem fio para
alimentar dispositivos tecnologia infravermelha segura e eficiente.

Somado ao meio ambiente, vem a crescente demanda por energia, principalmente associada ao advento do 5G. Assistentes de voz, residências inteligentes e dispositivos smart em geral devem se tornar parte integrante de nossas vidas diárias nos próximos anos. Mas tudo isso requer energia e, portanto, cabos de alimentação.

Soluções de carregamento sem fio instaladas em cômodos e
veículos

Uma empresa envolvida nisso, a Wi-Charge, tecnologia permite que os usuários alimentem pequenos dispositivos, como smartphones, alarmes de incêndio inteligentes e travas inteligentes, a vários metros de distância sem fios. A tecnologia funciona enviando um fino feixe de luz infravermelha. Um receptor no dispositivo ativado converte o feixe em eletricidade.

carregamento sem fio
Imagem: Wi-Charge

Outra companhia trabalhando nisso, a Energous construiu um dispositivo semelhante a um assistente doméstico inteligente que suporta carregamento doméstico e sem fio. Sua tecnologia pode carregar dispositivos a até 5 metros de distância, incluindo smartphones, câmeras, aparelhos auditivos e drones. A vantagem desse carregador é poder carregar vários dispositivos ao mesmo tempo.

Um lugar problemático, e até perigoso, para manter muitos
cabos é o banheiro. A Wi-Charge testou sua tecnologia de energia sem fio para
pequenas empresas, com foco em seus banheiros. Os dispositivos no banheiro são
carregados sem fio, incluindo torneiras sem contato, dispensadores de sabão e
válvulas de descarga. Essa tecnologia não apenas pode livrar os banheiros dos
cabos, como também remove a necessidade de baterias volumosas nesses
dispositivos.

carregamento sem fio
Imagem: Wi-Charge

Enquanto o Wi-Charge está focado em banheiros e espaços públicos, outra empresa, Ossia, tem como objetivo criar seu próprio nicho em carregamento sem fio para a indústria automotiva – com carros que também devem ser revolucionados pelo 5G.

A empresa desenvolveu um transmissor sem fio que é inserido
diretamente no capô ou no painel de um carro e pode fornecer energia wireless
simultaneamente a dispositivos pessoais e sensores automotivos. Esses sensores,
que fornecem inúmeras leituras sobre o carro ao motorista, estão se tornando
cada vez mais precisos ao mesmo tempo em que são mais dependentes da
conectividade e da potência.

A energia sem fio é um espaço cada vez mais competitivo e o
futuro dos carregamentos pode muito bem ser livre de cabos. A gente agradece.

Fonte: Interesting Engineering.

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Robôs macios e contínuos podem percorrer superfícies delicadas

Um robô contínuo, em forma de fio, que mais parece uma minhoca robótica, pode ser de extrema aplicabilidade. Por quê? Bem, estes robozinhos ferromagnéticos com formato delicado também podem percorrer superfícies complexas. No caso, podem atravessar espaços estreitos sob o controle de campos magnéticos, auxiliando cirurgias, por exemplo.

Imagem: Nature.

Uso de robótica na medicina:

Atualmente, médicos e cirurgiões usam robôs parecidos com cobras em procedimentos no coração, mas esses dispositivos comercialmente disponíveis são grandes demais para partes do corpo mais delicadas. Não é todo tecido ou canal que suporta cateteres convencionais. (Leia sobre cateteres autônomos aqui).

Para resolver essa lacuna, uma equipe multidisciplinar de engenharia (mecânica, civil e ambiental e química) do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o admirado MIT, em criou robôs macios, com aparência de fio, com menos de 1 milímetro de largura. Essas minhoquinhas robóticas contêm partículas magnéticas microscópicas e são revestidas com um gel lubrificante rico em água. Um ímã, disposto em certa distância, permite direcionar o curso do robô por quem estiver realizando a manipulação.

O experimento com o robô contínuo:

A equipe de engenheiros mostrou que os robôs podem navegar
suavemente por uma série de aros espaçados. Os dispositivos também podem
deslizar através de passagens sinuosas, simulando vasos sanguíneos em uma
réplica em tamanho natural do cérebro humano.

No artigo científico, divulgado na Science Robotics, os autores
do trabalho argumentam que, dada sua atuação compacta e independente e
manipulação intuitiva, os “robôs de contínuo macio ferromagnético” (engenheirês
para o robô de que estamos falando) podem abrir caminhos para cirurgia robótica
minimamente invasiva. Isso significa menos cortes e riscos de infecção, por
exemplo. Além do mais, os testes realizados indicam que essa inovação tecnológica
pode permitir tratar lesões anteriormente inacessíveis, tais como alguns
aneurismas, abordando, assim, desafios e necessidades não atendidas na área da
saúde.

robô contínuo
Imagem: Science Robotics.

Fonte: Science Robotics.

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Membrana nanoestruturada de madeira potencializa a destilação de água

A gente acredita (e torce) que a maioria dos leitores aqui receba água tratada com qualidade, mas é importante lembrar que, lamentavelmente, esse é um privilégio. A escassez de água é um desafio global e, de acordo com a ONU, quase metade da população mundial vive em regiões de escassez potencial por pelo menos 1 mês por ano. O problema é acentuado pelas mudanças climáticas e urbanização sem planejamento. Nesse cenário, técnicas intuitivas como a dessalinização podem ajudar a aliviar o estresse hídrico, extraindo água limpa de uma variedade de fontes salinas ou contaminadas. A ciência e engenharia impulsionam a dessalinização com o objetivo de acelerar o processo e/ou gerar escalabilidade, inclusive usando nanotecnologia.

madeira nanoestruturada
Imagem: Science Advances.

Destilação com membranas:

Durante a dessalinização da água, a destilação por membrana é desafiada pela ineficiência da separação térmica da água dos solutos dissolvidos (que queremos retirar), devido à sua dependência da porosidade da membrana e da condutividade térmica. Além disso, as técnicas existentes, como a osmose reversa, demandam muita energia. Os pesquisadores estão, portanto, interessados ​​em usar fontes de energia renováveis ​​e de baixo custo como uma alternativa de estratégia econômica para vencer esses desafios, ou potencializar o processo de destilação um modo em que não seja necessária tanta energia.

A destilação por membrana é um processo de separação
emergente, baseado em temperatura e pressão de vapor, que utiliza fontes
solares, térmicas ou outras fontes renováveis. Em seu mecanismo de ação, a água
evapora no lado de alimentação quente das células de destilação para se
difundir através de uma membrana hidrofóbica, ou seja, que repele água, para
condensar no lado do permeado frio.

Demanda por membranas com qualidade específica:

Durante a destilação, o transporte de vapor de água pode
levar à transferência de calor por convecção para reduzir o gradiente e
diminuir a força motriz para a transferência de massa através da membrana. Em
engenheirês, o objetivo dos cientistas para uma membrana ideal seria que ela
combinasse um tamanho de poro grande, baixa tortuosidade de poros, baixa
condutividade térmica, alta porosidade, espessura ótima, boa resistência
mecânica, boa relação custo-benefício e baixo impacto ambiental. No entanto, as
membranas existentes feitas de polímeros sintéticos não atendem aos padrões
ideais devido a várias deficiências.

A novidade em nanotecnologia e madeira:

Em um relatório disponibilizado na revista científica Science Advances, um grupo de pesquisadores de departamentos interdisciplinares de engenharia civil, ambiental, arquitetura, ciência dos materiais e engenharia mecânica nos EUA, Noruega e China fabricaram uma membrana de destilação robusta. Feita a partir do quê? Madeira.

O grupo usou uma membrana hidrofóbica nanoestruturada com
alta porosidade e estrutura de poros seguindo uma ordem hierárquica com uma
ampla distribuição de tamanho de poros de nanofibrilas de celulose cristalina,
vasos de xilema e lumina para facilitar o transporte de vapor de água. Parece
aula de botânica do ensino médio, mas estamos falando de madeira, né?

madeira
Imagem: Science Advances.

Ocorre que, com essa organização da estrutura da membrana, em
níveis manométricos, a condutividade térmica foi extremamente baixa na direção
transversal da construção para reduzir a perda de calor condutivo, embora a
alta condutividade térmica ao longo da fibra permitisse uma dissipação térmica
eficiente ao longo da direção axial.

A membrana demonstrou excelente permeabilidade ao vapor
intrínseco e eficiência térmica. As propriedades combinadas de eficiência
térmica, fluxo de água, escalabilidade e sustentabilidade tornaram a “nanomadeira”
recomendável para aplicações de destilação por membrana.

Fonte: Science Advances

 

Tecido eletrônico multifuncional acaba de ser desenvolvido

O conceito de wearable atingiu outro nível: Pesquisadores da Purdue University, uma universidade pública localizada Indiana, EUA, desenvolveram uma inovação em tecido eletrônico que permite aos usuários controlar gadgets por meio de nada menos do que… roupas!

Imagem: Wiley Online Library.

A novidade em wearables:

É a primeira vez que há uma técnica capaz de transformar
qualquer item de têxtil em sensores de autoalimentação que contenham tecidos
eletrônicos, tocadores de música ou telas de iluminação simples, usando
bordados, sem a necessidade de processos de fabricação caros que exijam etapas
complexas.

A tecnologia proposta torna possível fabricar tecidos que
podem proteger o usuário da chuva, repelir manchas e bactérias enquanto colhem
a energia do usuário para impulsionar a eletrônica em que se baseiam. Estes
e-têxteis autoalimentados também constituem um importante avanço no
desenvolvimento de interfaces humano-máquina vestíveis, que agora podem ser
lavadas muitas vezes em uma máquina de lavar convencional sem degradação
aparente. Vislumbramos um futuro de armaduras eletrônicas laváveis, ou é só um
sonho?

tecido eletrônico
Imagem: Wiley Online Library.

Funcionalidades:

A roupa desenvolvida pelo grupo de pesquisadores(as) da Purdue
é à prova d’água, respirável e antibacteriana. Falando em engenheirês, ela é
baseada em nanogeradores ontipóbicos triboelétricos (RF-TENGs), que usam
bordados simples e moléculas fluoradas para embutir pequenos componentes
eletrônicos e transformar uma peça de roupa em um mecanismo de alimentação. A
equipe da Purdue diz que a tecnologia RF-TENG é basicamente como ter um
controle remoto vestível que também mantém odores, chuva, manchas e bactérias
longe do usuário. Tony Stark e Bruce Wayne estão perdendo a exclusividade em wearables úteis.

De acordo com o líder do grupo, embora a moda tenha evoluído significativamente nos últimos séculos e tenha adotado facilmente materiais de alto desempenho recentemente desenvolvidos, há muito poucos exemplos de roupas no mercado que interagem com o usuário. No caso, ter uma interface com uma máquina que estamos constantemente usando parece a abordagem mais conveniente para uma comunicação ideal com os eletrônicos.

Imagem: Wiley Online Library.

A tecnologia está sendo patenteada através do Escritório de Comercialização de Tecnologia da Purdue Research Foundation. Os pesquisadores estão procurando parceiros para testar e comercializar sua tecnologia. O artigo completo com a pesquisa pode ser encontrado na revista Advanced Funcional Materials.

Fonte: Purdue University.

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Biotecnologia: bactérias podem produzir grafeno

A gente já comentou por aqui sobre como o grafeno vem
revolucionando a indústria, da perspectiva dos materiais. Mas a demanda por
esse insumo implica a busca por diferentes formas de produção dele, correto? E
em um contexto em que biotecnologia se apresenta como um excelente recurso, de
forma ousada, a engenharia recorreu às bactérias para a produção de grafeno!

bactérias grafeno
Imagem: onlinelibrary.wiley.com

O desafio da produção de grafeno em larga escala:

O grafeno é um nanomaterial de grande interesse na engenharia devido à sua alta capacidade de conduzir eletricidade, bem como a sua extraordinária força mecânica e flexibilidade. No entanto, o grande obstáculo em adotá-lo para aplicações cotidianas é a sua produção em grande escala, mantendo suas propriedades surpreendentes.

Uma equipe de pesquisadores em nanociência, liderados pela bióloga
Dra. Meyer, descreveu seu método para produzir materiais de grafeno usando uma
nova técnica: misturar grafite oxidada com… Bactérias! Segundo a equipe, a
metodologia constitui uma maneira mais eficiente em termos de custo, economia
de tempo e respeito ao meio ambiente, ao ser comparada com os métodos químicos
de produção do grafeno.

grafeno bacterias
Imagem: phys.org

Produção biológica do grafeno:

A fim de produzir maiores quantidades de materiais de
grafeno, a bióloga Meyer e seus colegas começaram com um mero frasco de
grafite. Eles esfoliaram o grafite – derramando as camadas de material – para
produzir o óxido de grafeno, que eles então misturaram com a bactéria Shewanella. Eles deixam o béquer de
bactérias e materiais precursores repousar durante a noite, período em que as
bactérias reduziram o óxido de grafite a um material de grafeno.

As bactérias removeram os grupos de oxigênio do material,
transformando-o em condutível para eletricidade. Basicamente, fizeram o
trabalho.

Aplicações para o grafeno produzido por bactérias:

O material de grafeno produzido por bactérias criado no
laboratório de Meyer é condutor e também é mais fino e mais estável do que o
grafeno produzido quimicamente. Além disso, ele pode ser armazenado por
períodos mais longos.

Essas propriedades tornam o grafeno produzido biologicamente adequado para uma variedade de aplicações, incluindo biossensores de transistores de efeito de campo (FET) e tinta condutora. Os biossensores FET são dispositivos que detectam moléculas biológicas e poderiam ser usados para realizar, por exemplo, monitoramento de glicose em tempo real para diabéticos. Legal, né?

Imagem: graphenea.com

O artigo original está disponível na ChemPubSociety Europe e comentários dos autores podem ser consultados no Phys.org.

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Engenheiros desenvolvem nanotubos de carbono que transformam calor residual em luz

Engenheiros mostraram como filmes a base de nanotubos de
carbono podem ser usados na criação de um equipamento que aproveita calor
residual. O aparelho pode aumentar o rendimento de células solares e a
eficiência da recuperação de calor residual em indústrias.

nanotubos
Imagem: news.rice.edu

Perda de calor em sistemas:

A gente costuma falar bastante sobre geração de energia por aqui, mas nem sempre mencionamos que há perdas nos sistemas, né? Pois bem, o aproveitamento dessas perdas é do interesse da engenharia, na medida em que promove aumento de eficiência, e também tem um caráter sustentável. Olha só:

Uma simulação realizada por pesquisadores da escola de
engenharia da Rice University mostra uma série de cavidades padronizadas em um
filme de nanotubos de carbono alinhados. Quando otimizado, o filme absorve
fótons térmicos e emite luz em uma banda estreita que pode ser reciclada na
forma de eletricidade.

fotons
Imagem: news.rice.edu

Tratando do conceito, fótons térmicos são simplesmente
fótons emitidos por um corpo em alta temperatura. Por exemplo, se você olhar
para algum objeto quente com uma câmera de infravermelho, você o verá brilhando,
por conta dos fótons termicamente excitados. Essa imagem nos é bastante
familiar, mas então por que esse calor não é aproveitado como energia? Bem, por
uma questão de comprimento de banda.

Aproveitamento do calor residual:

A invenção do grupo da Rice University foi um emissor
hiperbólico termal que pode absorver calor intenso que seria outrora eliminado
para atmosfera. Agora, esse calor é retido em uma banda estreita e emitido na
forma de luz. Basicamente, é um caminho mais longo, onde calor é transformado
em luz e a luz é convertida em eletricidade. É uma forma de aproveitar o que
seria residual, ou seja, tido como perda.

nanotubos
Imagem: news.rice.edu

Quer números? Vamos lá: A adição destes emissores às células
solares padrão podem aumentar sua eficiência em cerca de 22%. “Espremer” toda a
energia térmica desperdiçada em uma pequena região espectral, permite transformá-la
em eletricidade de forma muito eficiente, de acordo com a equipe. A previsão
teórica é de 80% de eficiência. Aguardamos para ver acontecer!

nanotubos de carbono
Imagem: news.rice.edu

Fonte: Rice University. ACS Publications.

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Substituição no anodo de grafite pode melhorar as baterias recarregáveis

Melhorias em uma classe de eletrólito de bateria desenvolvida em 2017, de gás liquefeito, poderiam abrir o caminho para um avanço de alto impacto e muito procurado no cenário das baterias recarregáveis: substituir o anodo de grafite por um anodo de metal de lítio.

eletrólito gás liquefeito
Imagem: phys.org

A demanda pela substituição de anodos de grafite:

Encontrar formas econômicas de substituir o anodo de grafite em baterias de íons de lítio é de grande interesse, porque poderia levar a baterias mais leves capazes de armazenar mais carga. Isso se daria através de um aumento de 50% na densidade de energia no nível da célula. (Você já viu a pesquisa sobre as baterias de vidro com anodos de nanosilício?)

A densidade de energia aumentada viria de uma combinação de fatores, incluindo a alta capacidade específica do anodo de lítio-metal, baixo potencial eletroquímico e peso leve (baixa densidade). Como resultado, a mudança para anodos de metal de lítio estenderia significativamente a gama de veículos elétricos e diminuiria o custo das baterias usadas para armazenamento em rede.

lítio metal
Imagem: i.ytimg.com

A dificuldade técnica:

Fazer esta migração na tecnologia vem com desafios técnicos. O principal obstáculo é que os anodos metálicos de lítio não são compatíveis com os eletrólitos convencionais. Dois problemas de longa data surgem quando esses anodos são pareados com eletrólitos convencionais: baixa eficiência de ciclagem e crescimento de dendritos. Então veio a abordagem dos eletrólitos de gás liquefeito.

Um dos aspectos de maior interesse nesses eletrólitos de gás liquefeito é que eles funcionam tanto à temperatura ambiente quanto a temperaturas extremamente baixas (-60°C). Esses eletrólitos são feitos de solventes de gás liquefeito, ou seja, gases que são liquefeitos sob pressões moderadas, que são muito mais resistentes ao congelamento do que os eletrólitos líquidos padrão.

lítio bateria
Imagem: phys.org

Conhecendo melhor os eletrólitos de gás liquefeito:

No artigo publicado neste ano, os pesquisadores da Universidade da California, em San Diego, relataram como, por meio de estudos experimentais e computacionais, eles melhoraram seu entendimento sobre algumas das deficiências da química dos eletrólitos de gás liquefeito. Com esse conhecimento, eles puderam adaptar seus eletrólitos de gás liquefeito para melhorar o desempenho em anodos de lítio-metal, ambos à temperatura ambiente e -60°C.

Os resultados dos experimentos indicaram que a eficiência do ciclo do anodo foi de 99,6% para 500 ciclos de carga à temperatura ambiente. Isso é resultado da eficiência de ciclagem de 97,5% relatada em 2017, e uma eficiência de ciclagem de 85% para anodos de metal de lítio com um eletrólito convencional (líquido). Para 60°C negativos, a eficiência de ciclo de anodo de lítio-metal foi de 98,4%. Em contraste, a maioria dos eletrólitos convencionais sequer funciona abaixo de -20°C.

Demandas em pesquisa:

Existe atualmente um grande esforço de pesquisa para encontrar ou melhorar eletrólitos que sejam compatíveis com o anodo de metal de lítio e são competitivos em termos de custo, segurança e faixa de temperatura de operação.

Fonte: Joule; Phys.org.

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Pesquisadores incrementam a destilação solar com hidrogel

Existe uma demanda para o tratamento de água com baixo custo, principalmente em comunidades vulneráveis. Todos os dias, milhões de pessoas são obrigadas a beber água imprópria para consumo humano. Em muitos casos, os lugares em que o risco associado à água de consumo é maior, são justamente aqueles que não possuem sistema de abastecimento coletivo e, portanto, devem contar com soluções individuais ou em escala domiciliar. A engenharia humanitária presta um grande papel nesse sentido.

tratamento destilação solar
Imagem: advances.sciencemag.org

Destilação solar:

A purificação de água por destilação solar é uma tecnologia promissora para produzir água tratada. Porém, a geração de vapor de água pela energia proveniente da radiação solar é demorada, levando a baixos rendimentos na produção de água sob luz solar natural. Portanto, o desenvolvimento de novos materiais que possam reduzir essa demanda energética para a vaporização da água e acelerar a purificação solar é altamente desejável.

Neste contexto, um grupo de pesquisadores de Ciência dos Materiais e Engenharia Mecânica da Universidade do Texas em Austin desenvolveu um sistema de purificação solar baseado em hidrogel que é aproximadamente 12 vezes melhor do que os sistemas de purificação disponíveis comercialmente.

destilação solar hidrogel
Imagem: advances.sciencemag.org

Uso de hidrogel como incremento:

A equipe criou um material esponjoso feito de dois tipos de hidrogel, sendo um baseado na ligação com a água e o outro voltado para a absorção de luz. Quando a esponja foi colocada em cima da água suja em um alambique solar, forçou a água do interior a evaporar mais rápido do que normalmente, ou seja, potencializando a destilação solar esperada.

O que aconteceu? Bem, a rapidez na evaporação se deveu à camada de água que estava tocando a esponja forjar pontes de hidrogênio mais fracas. Esse esforço alavancou a eficiência da energia solar para 3,2 L/h/m² de água, o que, segundo os pesquisadores, foi mais que o dobro do limite teórico.

quitosana hidrogel
Imagem: advances.sciencemag.org

E tem mais: os pesquisadores melhoraram ainda mais a eficiência da destilação solar por meio da adição de quitosana, um polímero natural, à mistura. Fazendo isso, permitiu-se que a esponja segurasse mais água, acelerando a evaporação. Isso empurrou a eficiência do destilador solar para 3,6 L/h/m², 12 vezes melhor do que as unidades comerciais.

Estaremos atentos à demais avanços e à distribuição e implementação dessa tecnologia de destilação solar melhorada.

Fonte: Science Advances.

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O 5G: O que é, qual o diferencial, e a tecnologia no Brasil

A quinta geração da internet móvel, o 5G, já está em funcionamento em diversas partes do mundo. Países como Estados Unidos, Europa e Coréia do Sul já possuem esta tecnologia, e a chegada no Brasil está prevista para 2023.

O 5G, é uma tecnologia que funciona através de rádio, assim como as conexões que temos atualmente. Porém, o que diferencia esta rede das outras é o expecto da frequência; que será de 3,5GHz a pelo menos 26GHz. Ou seja, uma capacidade de onda maior, embora com comprimentos de ondas menores.

Os comprimentos de onda significam um alcance mais curto, fazendo com que novas antenas sejam instaladas para propagar chamadas “ondas milimétricas”, que permitirão uma cobertura mais ampla.

Mas qual o diferencial desta rede?

De acordo com a fabricante de chips Qualcomm, a velocidade de download e navegação pode aumentar de 10 a 20 vezes com relação ao 4G.

Com isto, é esperado a intensificação do conceito de IOT (Internet of things), uma vez que a velocidade de transmissão para dispositivos conectados ao celular, como o smartwatch, será reduzida.

A introdução do 5G no Brasil

Hoje, o principal problema para implementação do 5G no nosso país vem de questões burocráticas. A Anatel decidiu que as bandas de 2,5GHz e 3,5GHz que antes eram usadas para transmissão de TV analógica, serão alocadas para a implementação do 5G no país. Em 2020 ocorrerá um leilão em que as empresas disputarão a concessão para serem provedoras desta tecnologia.

A empresa chinesa Huawei, é uma empresa que já testou esta tecnologia junto com as quatro operadoras brasileiras. E de acordo com Nicolas Driesen, diretor de tecnologia da Huawei, se o Brasil adiar o leilão de concessão de bandas, previsto para 2020, ele ficará ainda mais atrasado com a implementação da tecnologia 5G.

Países latinos como Uruguai e México, já deram o primeiro passo comercial para a implementação da tecnologia.

Referências:

Isto é Dinheiro, BBC News

Como a Energia Renovável ajuda no desenvolvimento de um país?

Sabemos que a energia renovável está cada vez mais presente no nosso dia a dia, agora, qual a relação dela com o desenvolvimento?

Vemos pequenos exemplos de conscientização ambiental no nosso dia a dia. Desde aquele restaurante que não tem mais canudo, até a aquela ecobag que utilizamos em supermercados. Portanto, com a energia não poderia ser diferente, e a matriz energética de diversos países tem mudado.

Porém isto vai além da conscientização ambiental. Analisando questões econômicas, hoje sabemos que a energia renovável é mais barata que a energia nuclear, a energia fóssil, e até energia do carvão mineral. O carvão mineral foi a forma mais usada de energia no mundo, em meados de 2003, principalmente pelo seu valor econômico baixo. Devido a redução do uso do carvão, hoje a energia renovável nos Estados Unidos da América representa 17% da energia do país.

Energia renovável e a geração de novos empregos

Como a energia renovável faz parte de uma tecnologia relativamente recente, é comum pensar nos impactos econômicos que podem ser causados.

A Irena (Agência Internacional de Energia Renovável) apoia 170 países, incluindo o Brasil, em sua transição para um futuro energético mais sustentável. De acordo com esta organização, no ano de 2018 foram criados 10,3 milhões de empregos para se trabalhar com energia renovável. Embora grande parte destas vagas estão concentradas na Asia; Os Estados Unidos, Brasil, Índia, e Alemanha continuam a ser grandes empregadores neste ramo.

No Brasil, segundo o relatório do Irena, no ano de 2017 foram criadas 893 mil vagas de emprego para profissionais atuarem com geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.

Com todas estas mudanças no mercado, temos que nos manter sempre atualizados com relação a introdução das energias renováveis. Não só no Brasil, como no mundo, está sendo requisitado profissionais especializados sobre o assunto. E sem dúvidas, é uma área da engenharia muito interessante para investir o conhecimento.

Referências:

TheGuardian, LGLSolar